“Mudei, embora continue o mesmo. Sei que você compreende”
- Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias -
“Mudei, embora continue o mesmo. Sei que você compreende”
- Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias -
“Dói, um pouco. Não mais uma ferida recente, apenas um pequeno espinho de rosa, coisa assim, que você tenta arrancar da palma da mão com a ponta de uma agulha. Mas, se você não consegue extirpá-lo, o pequeno espinho pode deixar de ser uma pequena dor para se transformar numa grande chaga. Assim, agora, estou aqui. Ponta fina de agulha equilibrada entre os dedos da mão direita, pairando sobre a palma aberta da mão esquerda”
- Caio Fernando Abreu in Os Dragões não conhecem o Paraíso -
“Está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
ou se houver vento,
se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair”
- Caio Fernando Abreu in Revista Bravo -
“Não há memória, também. Você nunca o viu antes. Tenha a forma que tiver - um bebê, um cristal, um diamente, uma faca, uma pêra, um postal, em ET, uma moça, um patim - ele não se parece a nada que você tenha visto antes. Só está ali, à sua frente, como um punhado de argila à espera de que você o tome nas mãos para dar-lhe uma forma qualquer - um bebê, um cristal, um diamernte e assim pro diante. E se você não o fazer, ele se fará por se mesmo, o momento presente. Não chore por ele. No máximo um suspiro. Mas que seja discreto, baixinho, quase inaudível. Não o agarre com voracidade - cuidado, ele pode quebrar”
- Caio Fernando Abreu in: Pequenas Epifanias -
“Uma Possibilidade que eu precisava devorar ou destruir. Porque até hoje não consegui conquistar essa disciplina, essa macrobiótica dos sentimentos, essa frugalidade das emoções. Fico tomado de paixão. Há tempos não ficava”
- Caio Fernando Abreu in: Cartas -
“Eu preciso muito muito de você. Eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito muito de você.”
- Caio Fernando Abreu in: Pequenas Epifanias -
“Gostavam de estar assim, agora sós, donos de suas próprias vidas. Embora, isso não disseram, não soubessem o que fazer com elas”
- Caio Fernando Abreu in: Morangos Mofados -
“Te quero imensamente bem, fico pensando se dizendo assim, quem sabe, de repente você até acredita. Acredite”
- Caio Fernando Abreu in: Cartas -
“Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas”
- Caio Fernando Abreu in Cartas -
“Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim, há muito tempo estava acostumado a apenas consumir pessoas como se consomem cigarros, a gente fuma, esmaga a ponta no cinzeiro, depois vira na privada, puxa a descarga, pronto, acabou. Desculpe mas foi só mais um engano? E quantos ainda restam na palma da minha mão? Ah, me socorre que hoje não quero fechar a porta com essa fome na boca”
- Caio Fernando Abreu in: Ovelhas Negras -