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"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada"

- Caio Fernando Abreu in Os Dragões não conhecem o paraíso/ Caio 3D -

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"Quanto mais você bate, mais ele arreganha os dentes e intica para apanhar mais. Isso magnetiza e atrai outros pensamentos, ainda mais descabelados e até então escondidos. Se era um nome, vem o sobrenome. Se era rosto, vem a textura da pele, um cheiro um jeito de olhar. Se fantasia, ganha a cor, e assim por diante. Pensamentos desse tipo são quase sempre proustianos: loucos pelo velho e bom tempo perdido"

- Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias -

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"Achava bonito e difícil ser um tecelão de inventos cotidiano (…) mas perguntaste novamente se eu estava disposto a continuar tecendo - e então eu disse que sim, que estava disposto, que eu teceria. Que eu teço"- Caio Fernando Abreu in O Ovo Apunhalado -

"Achava bonito e difícil ser um tecelão de inventos cotidiano (…) mas perguntaste novamente se eu estava disposto a continuar tecendo - e então eu disse que sim, que estava disposto, que eu teceria. Que eu teço"

- Caio Fernando Abreu in O Ovo Apunhalado -

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"Não compreendo como o querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo sim"- Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias -

"Não compreendo como o querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo sim"

- Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias -

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"Essa chuva e esse frio parece que empurram a gente mais para dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas"Carta para além do muro- Pequenas Epifanias -

"Essa chuva e esse frio parece que empurram a gente mais para dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas"

Carta para além do muro
- Pequenas Epifanias -

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“Então eu te disse que o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse”- Caio Fernando Abreu in Ovelhas Negras -

“Então eu te disse que o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse”

- Caio Fernando Abreu in Ovelhas Negras -

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"Mudei, embora continue o mesmo. Sei que você compreende"- Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias -

"Mudei, embora continue o mesmo. Sei que você compreende"

- Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias -

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"Dói, um pouco. Não mais uma ferida recente, apenas um pequeno espinho de rosa, coisa assim, que você tenta arrancar da palma da mão com a ponta de uma agulha. Mas, se você não consegue extirpá-lo, o pequeno espinho pode deixar de ser uma pequena dor para se transformar numa grande chaga. Assim, agora, estou aqui. Ponta fina de agulha equilibrada entre os dedos da mão direita, pairando sobre a palma aberta da mão esquerda"- Caio Fernando Abreu in Os Dragões não conhecem o Paraíso -

"Dói, um pouco. Não mais uma ferida recente, apenas um pequeno espinho de rosa, coisa assim, que você tenta arrancar da palma da mão com a ponta de uma agulha. Mas, se você não consegue extirpá-lo, o pequeno espinho pode deixar de ser uma pequena dor para se transformar numa grande chaga. Assim, agora, estou aqui. Ponta fina de agulha equilibrada entre os dedos da mão direita, pairando sobre a palma aberta da mão esquerda"

- Caio Fernando Abreu in Os Dragões não conhecem o Paraíso -

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"Está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
ou se houver vento,
se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair”

- Caio Fernando Abreu in Revista Bravo - 

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"Não há memória, também. Você nunca o viu antes. Tenha a forma que tiver - um bebê, um cristal, um diamente, uma faca, uma pêra, um postal, em ET, uma moça, um patim -  ele não se parece a nada que você tenha visto antes. Só está ali, à sua frente, como um punhado de argila à espera de que você o tome nas mãos para dar-lhe uma forma qualquer - um bebê, um cristal, um diamernte e assim pro diante. E se você não o fazer, ele se fará por se mesmo, o momento presente. Não chore por ele. No máximo um suspiro. Mas que seja discreto, baixinho, quase inaudível. Não o agarre com voracidade - cuidado, ele pode quebrar"
- Caio Fernando Abreu in: Pequenas Epifanias   -

"Não há memória, também. Você nunca o viu antes. Tenha a forma que tiver - um bebê, um cristal, um diamente, uma faca, uma pêra, um postal, em ET, uma moça, um patim - ele não se parece a nada que você tenha visto antes. Só está ali, à sua frente, como um punhado de argila à espera de que você o tome nas mãos para dar-lhe uma forma qualquer - um bebê, um cristal, um diamernte e assim pro diante. E se você não o fazer, ele se fará por se mesmo, o momento presente. Não chore por ele. No máximo um suspiro. Mas que seja discreto, baixinho, quase inaudível. Não o agarre com voracidade - cuidado, ele pode quebrar"

- Caio Fernando Abreu in: Pequenas Epifanias  -